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domingo, 5 de setembro de 2010
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Eu sou. Tentando abraçar o mundo com meus bracinhos curtos, quero tudo, ao mesmo tempo e agora. Se tem algo que me assusta mesmo é ficar sozinha, do resto, a teimosia me impele pra frente.
E se não é a teimosia, são os sonhos. E esses, ah, esses encontram respaldo em seus pares literários.
Eu sou. Com (sua) licença poética.
domingo, 27 de junho de 2010
E se você vem, fica tudo maior, mais amplo, sei lá mas é como se eu existisse dum jeito mais completo, compreende?
Só eu sei que cheguei à humildade máxima que um ser humano pode atingir: confessar a outro ser humano que precisa dele para existir".
É fácil perceber a importância de alguém quando essa pessoa nos faz falta. Mas e quando essa falta se dá a cada instante?
A gente só pode ficar quietinha no canto, esperando que façamos essa mesma falta.
(e sorrimos quando percebemos - ou imaginamos? - um pequeno indício que seja)
sábado, 29 de maio de 2010
E ontem, além de ter em mãos um livro, eu tinha ainda crianças à vista. Pequenos de 7, 8 anos, com um pai no meio, brincando de Queimado. Olhava pra eles e lembrava de quando eu tinha os mesmo 7, 8 anos e passava os recreios e as Educações Físicas correndo, me esquivando e agarrando a bola, tacando com toda a minha força, engolindo o choro quando era "queimada" forte demais.
Fiquei um bom tempo parada, o livro esquecido, um sorriso bobo. Lembrei das minhas maria-chiquinhas compridas e lisas, que me renderam o apelido de Luz Clarita, os shorts meio largos, colocados no alto da cintura (mamãe e suas modas antiquadas - e hoje cintura alta é moda de novo, vai entender), as minhas botas ortopédicas.
E percebi de repente que quando eu me lembro disso tudo, e uma criança não sabe quem é Luz Clarita ou me olha sem pensar em me chamar pra brincar também, é um sinal claro que eu já cresci.
Agora, só quando tiver os meus filhos que voltarei a lidar com maria-chiquinhas, novelas infantis, cantigas...
E quem sabe eles me chamam pra jogar Queimado?
segunda-feira, 24 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Fragmentos
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Ouvi a sua voz sonolenta no telefone, entre arrependida e divertida. Arrependida de ter te acordado, mas talvez nem tanto assim. Saber que você acorda só pra falar comigo é no mínimo muito bom. Não por acordar em si, mas pela importância que você me dá, pra interromper assim seu descanso.
E a situação em si é divertida, vê-lo lutando contra um soninho que insiste em te puxar de volta pros domínios de Morfeu.
E a sua voz continua linda e me deixando tão encantada em escutá-la, como sempre.
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Aqui os passarinhos estão cantando. Uma melodia desordenada e alegre, como se eles não se importassem com quem quer que esteja ouvindo, tudo o que fazem é saudar o sol que brilha, tão amarelo quanto suas penas.
Acho que vou deitar no sofá com a minha cachorra e improvisar um dueto com os canários.
Mas eu saudaria, além do sol, você, que deve estar dormindo agora. Ninando seu sono, à distância.
Será que em sonhos, você consegue me ouvir?