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domingo, 27 de junho de 2010

"Porque se você não vem é como se o tempo fosse passado em branco, como se as coisas não chegassem a se cumprir porque você não soube delas. Tudo dói, e eu já nem sei mais para onde ir nem o que fazer, se ao menos você me amasse um pouco, não estaria aqui e agora, neste bar, sozinho, longe de você e de mim.
E se você vem, fica tudo maior, mais amplo, sei lá mas é como se eu existisse dum jeito mais completo, compreende?
Só eu sei que cheguei à humildade máxima que um ser humano pode atingir: confessar a outro ser humano que precisa dele para existir".


É fácil perceber a importância de alguém quando essa pessoa nos faz falta. Mas e quando essa falta se dá a cada instante?

A gente só pode ficar quietinha no canto, esperando que façamos essa mesma falta.





(e sorrimos quando percebemos - ou imaginamos? - um pequeno indício que seja)

sábado, 29 de maio de 2010

Nada me deixa mais "autista" que ler. (Quer dizer, em meios sociais...) Mas então, eu fico com aquele olhar perdido, meio morta para o mundo, só que com a cabeça em plena atividade.

E ontem, além de ter em mãos um livro, eu tinha ainda crianças à vista. Pequenos de 7, 8 anos, com um pai no meio, brincando de Queimado. Olhava pra eles e lembrava de quando eu tinha os mesmo 7, 8 anos e passava os recreios e as Educações Físicas correndo, me esquivando e agarrando a bola, tacando com toda a minha força, engolindo o choro quando era "queimada" forte demais.

Fiquei um bom tempo parada, o livro esquecido, um sorriso bobo. Lembrei das minhas maria-chiquinhas compridas e lisas, que me renderam o apelido de Luz Clarita, os shorts meio largos, colocados no alto da cintura (mamãe e suas modas antiquadas - e hoje cintura alta é moda de novo, vai entender), as minhas botas ortopédicas.

E percebi de repente que quando eu me lembro disso tudo, e uma criança não sabe quem é Luz Clarita ou me olha sem pensar em me chamar pra brincar também, é um sinal claro que eu já cresci.

Agora, só quando tiver os meus filhos que voltarei a lidar com maria-chiquinhas, novelas infantis, cantigas...







E quem sabe eles me chamam pra jogar Queimado?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Trazia um sorriso sapeca no rosto, daqueles de "você aprontou alguma coisa". Contava até dez pra segurar a vontade de falar, mas...

se contasse, estragaria a surpresa. Shhhh!


;)

sábado, 15 de maio de 2010

E quando foi que nossas vozes se distanciaram? Em qual tempo, nessas correrias do dia-a-dia, que a gente se armou de estranhamento e incompreensão?






(Eu pensei que conflitos de idades fossem mais fáceis de resolver)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Fragmentos

E eu acordei cheia de uma calma inspiradora. Posso dizer que pela primeira vez nessa semana, estou de fato feliz - daquela felicidade serena que se têm quando se aceita o momento como ele é, quando se olha o céu (de um azul límpido nesse diazinho de outono ameno) e se consegue sorrir, mesmo sem pensar em nada.

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Ouvi a sua voz sonolenta no telefone, entre arrependida e divertida. Arrependida de ter te acordado, mas talvez nem tanto assim. Saber que você acorda só pra falar comigo é no mínimo muito bom. Não por acordar em si, mas pela importância que você me dá, pra interromper assim seu descanso.

E a situação em si é divertida, vê-lo lutando contra um soninho que insiste em te puxar de volta pros domínios de Morfeu.

E a sua voz continua linda e me deixando tão encantada em escutá-la, como sempre.

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Aqui os passarinhos estão cantando. Uma melodia desordenada e alegre, como se eles não se importassem com quem quer que esteja ouvindo, tudo o que fazem é saudar o sol que brilha, tão amarelo quanto suas penas.

Acho que vou deitar no sofá com a minha cachorra e improvisar um dueto com os canários.

Mas eu saudaria, além do sol, você, que deve estar dormindo agora. Ninando seu sono, à distância.

Será que em sonhos, você consegue me ouvir?

domingo, 11 de abril de 2010

Como pra provar que nem tudo é perfeito, acordou de mau humor. Não tinha motivo nenhum (estava ilesa dos temporais de ultimamente, mas não das tempestades sentimentais) e no entanto, o mundo inteiro implicava com ela. E irritava-lhe até arrancar um choro sofrido, mesmo sem saber muito bem porque estava chorando.


Parecia mais um daqueles dias que só servem para te mostrar que a vida que se leva é muito diferente da vida que se quer - e não exatamente num bom sentido.


A única esperança é que quando fechasse os olhos, esse criatura ranzinza fosse embora, como essas incômodas nuvens que agora nublavam o céu...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio de uma praça então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu deus mas como você me dói de vez em quando.

Caio Fernando Abreu





E no entanto é uma dor absolutamente necessária. Uma dor que eu escolho sentir todo dia - mas às vezes dói mais do que eu pensava.

E então você faz alguma coisa, que pode ser pequenininha como abrir um sorriso e me chamar de sua menina com uma flor (que é uma das formas que eu mais gosto que você me chame, porque é carinhosa, porque faz referência a um texto que eu amo e porque mostra que você é atento a cada pequena linha que eu escrevo - e que há muito tempo sempre tem alguma coisa pra você), e eu entendo que se é preciso doer para ter consciência desse sentimento que me deixa tão sem palavras, eu aceito essa condição com prazer.

E por ficar assim, sem saber direito o que dizer, é que eu te abraço forte toda vez que eu te vejo, e olho fundo nesses seus olhos lindos esperando que você consiga perceber o quanto você me dói de vez em quando.