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domingo, 13 de dezembro de 2009

Olhava para as unhas, um tanto mais compridas que o que costumava deixar. Apesar de sempre gostar de trazê-las bem-cuidadas, esmaltadas, nunca as tinha deixado assim. Foi meio sem querer que descobriu que ele gostava delas compridas, então passou a cuidar para que crescecem.


Era boa para ele a sensação de passá-las, de leve, arranhando as costas. Era boa para ela o sentimento de domínio, entre a dor e o prazer, de fazer uma carícia desconcertante ou fincar, como garras, unha na carne, até sangrar, até doer, até que pedisse para parar (não que efetivamente fosse fazer isso, mas a realidade dessa possibilidade não deixava de ser boa).


Braços, costas, pernas, nuca, todos eram lugares adequados para ir descobrindo. Descobrir onde e como poderia apelar na hora de fazer cócegas, onde e como o toque mexia mais com ele.


Descobria, passando as unhas de leve nos braços, também, que passar o tempo com ele era o que mais a satisfazia ultimamente, mesmo sendo através de lembranças e associações.

sábado, 12 de dezembro de 2009

E hoje eu sou só sorrisos. Grandes, sinceros, daqueles que se vê de longe. Daqueles que caem bem com uma musiquinha cantarolada, olhos brilhantes e toda uma aura de 'boba alegre' que anda me acompanhando.


Cheguei naquele delicioso ponto em que o menor gesto, a mais descuidada frase, é objeto de análise, e lembrança, e te deixa vermelha só de pensar.


E as idéias correm soltas e animadas, como passarinhos.


(Na verdade, é no meu coração que tem passarinhos, a brincar com as borboletas que passaram a habitar meu estômago, fazendo aquelas cócegas engraçadas toda vez que eu o vejo)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009



"Somente o que sentimos justifica o que fazemos!"






E novamente esse tal de Fluminense me inspira a escrever. Novamente, aliás, a sua torcida, que tão bem tem representado os apaixonados, e digo mais, não só os por futebol, mas apaixonados de toda sorte.


Achei essa frase emblemática. E correta, acima de tudo. Principalmente quando todo o racionalismo/opinião alheia é contra você, e no entanto, persistir parece o único caminho viável.


É preciso uma boa dose de coragem para seguir assim, e um tanto de autoconfiança e loucura também não vão mal. E se no fim, não valer a pena? "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena", já dizia Fernando Pessoa. Eu acredito que sempre vale, mesmo que seja só um aprendizado.





E é de paixão e aprendizado é que se faz a vida, não é mesmo?

domingo, 6 de dezembro de 2009

o Catra é meu pastor...

Eu ia continuar ao ritmo de Lady GaGa, mas depois da pregação do Catra, foi impossível resistir. Explico: além de toda a eloquência desse nosso poeta em descrever suas peripécias sexuais, inclusive em outros estilos musicais (vai dizer que nunca cantarolou "É bom, uma mamada de manhã, Halls com sabor de hortelã"?), ele agora desafia a teologia e criou o "judaísmo salomônico". E olha que é coisa séria!

Apesar da menção ao Rei Salomão conter algum proveito sexual (o nosso sábio tinha nada menos que 700 mulheres e 300 concubinas, vai ver aí estava o tamanho da sua sabedoria), segundo Mylene Mizrahi, que é judia, “tudo que ele fala sobre isso [judaísmo] tem sentido e é sério do ponto de vista dele. É por esse discurso que ele chama atenção de seu público para a injustiça social. É um posicionamento político”. E ainda tem gente que estuda isso como fênomeno pós-moderno em tese de doutorado em Sociologia e Antropologia.


Ou seja, nosso Catra promove a inserção social através da putaria.



E a título de coclusão, nesse post que pretende ser sério, uma máxima do querido MC Créu: “Adoro comer carne. Se o Catra quiser, vou a um churrasco dele e levo a sobremesa”. Remoam sobre o sentido, queridos cordeirinhos.

Antes que isso vire uma mesa redonda...

parabéns a Botafogo, Flamengo e Fluminense. E obrigada pelo feriado que irá se instaurar amanhã no Rio.



;)

sábado, 5 de dezembro de 2009


I want your everything

As long as it's free
I want your love
Love, love, love I want your love
I want your drama

The touch of your hand

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Ligo o som, e aos primeiros acordes, sinto a tensão relaxar. Fecho os olhos e deixo o corpo se mexer, no ritmo contagiante da música. No minuto seguinte, já não existe eu ou você, existe apenas o que canto. Tenho a impressão de ver as luzes coloridas de uma pista de dança e então eu danço, até a faixa acabar.

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Repito, uma, duas, três. Pra falar a verdade, já perdi a conta de quantas vezes escutei a mesma música, mas a ebriedade que ela causa em mim é igualmente forte e irresistível.

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Percebo que arrisco passos cada vez mais fortes, do salto ao chão em cada vez menos tempo, "I'm such a lady, but I'm dancin' like a horn".

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E então, de repente, o refrão e me pego cantando exatamente aquilo que poderia querer falar, mas que nunca conseguiria.

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I want your love and
I want your revenge
You and me could write a bad romance
(Oh-oh-oh-oh-oooh!)
I want your love and
All your lover's revenge
You and me could write a bad romance

Oh-oh-oh-oh-oooh-oh-oh-oh-oooh-oh-oh-oh!

Caught in a bad romance.



quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ontem eu fui tricolor, sim

Quem gosta, sabe. E nem precisa ser daqueles que lembra o lance obscuro da partida daquele campeonato truncado. Basta gostar. E ver, e vibrar, e ser capaz de se emocionar. Uma festa assim não se vê todo dia, mas no Rio de Janeiro, nesse ano de tantos reencontros felizes entre times e suas torcidas, pelo menos 2 vezes por semana a gente tem espetáculo. Mais emblemático que pão e circo.


Ontem foi o dia do Fluminense. Dia que começou semana passada, quando loucos (vulgo torcedores, porque quem torce tem mesmo um quê de louco), mesmo tendo perdido de 5 a 1, acreditaram. E fizeram o time acreditar, e o resultado foi aquele jogo sensacional. Maracanã lotado (e eu me arrependendo profundamente de não ter ido) e quando os jogadores entram em campo, o reconhecimento. Sim, eu sei que nem é meu time, mas essa coisa de apaixonado mexe com a gente. E arrepia. (olha a prova de que torcedor é mesmo louco, tô toda boba com um time que nem é o meu)


Mas foi meu time durante aquele jogo. Impossível se manter neutra quando a vontade supera o cansaço, quando a esperança e o canto intermitente das arquibancadas são o combustível. (e eu admito que cantei em casa, timidamente, com o coração na mão)


Foram 90 minutos de glória. Tempo em que eu redescobri porque gosto tanto de futebol, mas desse futebol nosso, que faz da rede sua maior deusa, entregando-lhe sacrificialmente a bola, tão nossa querida. Foram 90 minutos para acreditar que "na alegria e na tristeza, eu nunca vou te abandonar". E não vai. Não aquele que faz do time uma religião, o coloca num pedestal intocável.


E veio o apito. Silêncio de um minuto, preparando o espetáculo final. O agradecimento sincero de uma torcida que até o fim acreditou, para um time que até o fim lutou. "Time de guerreiros!"


A gente continua acreditando, Fluminense. Não num título, mas nessa paixão que transforma 70.000 pessoas em braços e vozes, que se mobilizam e saudam alegremente um grupo que na prática, tinha tudo para ser vaiado. Mas aí entra a mágica do futebol, e o time que vai se livrando do rebaixamento tem dado mais show que muitos do G-4.


E hoje? Hoje eu sou vascaína, mesmo me arrepiando e chorando vendo os vídeos de ontem. E talvez domingo eu me divida num Fla-Flu interno, mas coração de torcedor sempre aguenta.