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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Nostalgia

saudade do que não se tem mais.


saudade do passado, que nem era tão bom assim, mas era conhecido, e por isso, seguro. porque ultimamente, o desconhecido tem me dado um medo...


e a minha única vontade é ficar deitada na minha cama com um bom estoque literário e de chocolate.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

essa saudade que eu sinto, de tudo que eu ainda não vi...


e também do que eu vi. do que existe, existiu ou existirá. esse sentimento de que nada vai aplacar essa sede de ter, conhecer, seja gente, lugar ou livro, fatos e bichos, ainda vai me deixar maluca. ou já estou - só faltando o atestado. mas pra que serve o atestado se só diz algo que já sabemos?

sei lá, vontade de falar. por horas e horas, mas não sei nem de quê. ou com quem. então fico nesse monólogo aparentemente desconexo, porque na verdade, quando falo comigo mesma é tudo de uma verdade cristalina e simples, porque é o mundo que compluca tudo. "o inferno são os outros" diz Sartre.

aprendi com uma mestra de literatura. mestra não só de literatura, mestra em fazer chá e escutar seus alunos. em identificar seres pensantes, mesmo em criaturas de 16 anos. mestra em saber que mesmo nos amores adolescentes, mesmo nos namoros de escola, há amor o suficiente pra você ter a maior dor de cotovelo da sua vida, e mesmo depois de se desapaixonar e reapaixonar, sentir uma fagulha dele em você. e saber que ela vai permanecer pra sempre, porque ele foi você e você foi ele, mesmo com os apelidinhos, mesmo sem mal terem se tocado - porque suas almas se tocaram através do olhar. e foi noite na sua vida enquanto isso era o que dominava seu coração. e vai ser um eterno quase-alvorecer enquanto não achar outro que te faça sentir o mesmo.

e isso, ahhh, só se aprende escutando os silêncios que fazem parte da ópera da vida, como diria o tenor machadiano. e machado tem autoridade pra falar,né?


(pra aplacar o silêncio da saudade, vou cantar um pouco. porque eu vivo só pra música quando estou cantando.)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Laissez fare. Deixar fazer, na tradução literal. Expressão perigosa, pois dá liberdades que podemos nos arrepender depois.

Liberdade. Palavra bonita, de fácil compreensão. Mas a prática? Ahh, como sempre, fazer é um problema.

E voltamos ao fazer. Fazer... realizações? Grandes feitos? Ou caprichos? No fim, fica sempre a dúvida da intenção.






Então, o negócio é mesmo deixar fazer. Porque as possibilidades são múltiplas. Vamos fazer, depois a gente vê no que vai dar...

terça-feira, 30 de junho de 2009

Don't go around breaking young girls hearts.

Sentou. Na janela, como sempre. Sua mãe vivia lembrando-o de como pioraria sua sinusite, de que ganharia uma rinite e todos esses ites respiratórios. Que diabo, como um pouco de ar fresco podia fazer mal? Ainda assim, fechou um pouco. Não completamente, precisava sentir um pedaço do mundo que passava, precisava de liberdade - mesmo que fosse pela pequena fresta da janela aberta.

Olhou o relógio - duas e meia. Antes das quatro, com um pouco de sorte, estarei chegando. Sentiu a fome apertar a barriga e pegou uma barra de cereal na mochila. Gosto de nada. Olhou a embalagem, 90 kcal. Não me admiro das garotas gostarem disso, com tanta propaganda de zero gordura trans e apenas 90 kcal...

Um carro encostou ao seu lado, com um som ensurdecedor. O motorista berrava a letra do funk, numa disputa com o aparelho, sobre os dotes de uma... melhor deixar pra lá.

Fechou os olhos. Sentiu cheiro de pipoca quando parou no sinal, aspirou (e tossiu) fumaça quando o caminhou cortou seu ônibus (Filho da Puta!), abriu os olhos a tempo de ver a moça bem vestida passar, depois que sentiu o cheiro do perfume doce que anunciava a presença dela.

Sem dar por isso, começou a cantar. A música do rádio, she said i'm the one, but the children is not my son, o pagode da infância, Garçom, aqui nessa mesa de bar, Preta Gil.

E quando saiu do transe no qual a música o deixou, surpreendeu-se por estar perto do seu ponto. Levantou, e passando no corredor, olhou duas vezes para a garota do último banco. Bonita, sempre a via nesse trajeto, há mais de um ano, mas nunca parei pra falar com ela. Sorriu e desceu.

Na calçada, já pensava em Clara, ao menos quando estou chegando lembro dela.

sábado, 27 de junho de 2009

(Maus) hábitos...

Apesar da aparente arrogância (seria autosuficência?), era extremamente exigente. Com o que lia, com as opiniões, com os outros, consigo. Era razoável e bem justa, mas não admitia nada menos que excelente. O melhor, se possível.

Por isso, odiava se sentir impotente. A externalização máxima desse sentimento era quando precisava recorrer a terceiros, porque não daria conta - (de algo, de alguém, dela?). Não se importava, no entanto de ajudar, tampouco o fazia para enaltecimento - seu sentimento de solidariedade era genuíno.

Beirava o infantil em sua visão de mundo, acreditando no melhor das pessoas. Era condescente e sempre disposta a dar uma segunda chance, erros nos fazem humanos, gostava de repetir.

Porém, nada se aplicava a ela mesma. Nada de desculpas. A aparência tranquila destoava com a ansiedade de não ser o bastante: tinha que atingir um patamar acima do ideal. Não compreendia muito bem como podia ser assim, e por isso mesmo, não o demonstrava.

Por isso, escritora inconstante. Admitia que seus textos traziam às vezes algo de interessante, mas eram autobiográficos, autobiográficos demais. Expunha-se em cada linha, mais do que conseguiria dizer, mesmo para os melhores amigos. E ao alcance de todos. Além disso, dependia do humor para escrever.

Mas o primeiro passo é reconhecer-se necessitado, não? Então tentava. Precisava livrar-se desses hábitos.

domingo, 7 de junho de 2009

Resumo de Goethe

Fausto - o homem.

A barganha, a vontade insaciável. O querer saber mais e mais, a confiança na sua racionalidade. O tédio do mundo, a aposta de Deus.


Margarida - a mulher (ou o anjo).

A beleza. Candura, as qualidades irretocáveis. Dedicação. A pureza que, se maculada, morre.



Mefistófeles

O diabo. Aquele que desvia, usa de artimanhas para conseguir o que quer. Espalha a dor, ainda que não conscientemente.





(vulgo eu).

terça-feira, 2 de junho de 2009

Expectativa

substantivo masculino: friozinho na barriga diante de algo com grandes possibilidades de ser muito bom. ;)